Como foi a minha experiência no Outback, o deserto da Austrália

Outback

Antes mesmo de sair do Brasil em 2008 em busca do meu sonho de conhecer a Austrália, eu já tinha esta foto planejada na cabeça: céu azul, terra vermelha, o Uluru ao fundo e a sola do meu boot em primeiro plano. Enquanto um amigo que fiz na viagem seguia minhas coordenadas pra bater a foto da minha vida, eu suspirava e sorria por dentro ao me dar conta de que tinha chegado lá. O “lá” era o Outback, o coração da Austrália. Ele representava o ápice da minha viagem tão desejada e planejada pelo país.

O Outback é o deserto australiano e toma conta de dois terços do território nacional. É um ambiente quente, inóspito, com todos aqueles animais peçonhentos que você pode imaginar – cobras, lagartos, escorpiões. É uma das paisagens mais antigas do mundo, com rochas gigantescas formadas há cerca de 800 milhões de anos. Além disso, a região guarda ainda a história e a magia do povo aborígene, os indígenas da Austrália, que chegaram lá há 40 mil anos e até hoje permanecem.

Era dia 19 de dezembro de 2008 quando desembarquei no aeroporto de Alice Springs depois de pouco mais de duas horas de voo de Cairns. Alice Springs é a principal cidade do Outback e ponto de partida para os passeios no chamado Red Centre, a região onde ficam as principais atrações do deserto. Eu e outras centenas de bravos mochileiros chegavam pra enfrentar a imensidão vermelha nos próximos dias. Do aeroporto literalmente no meio do nada, peguei o ônibus até o meu albergue no centro da cidade cheia de expectativa.

Outback

Com a mochila guardando minha cama no quarto, saí pra bater perna à tarde pela cidade, já que a excursão de três dias no deserto só partia na manhã do dia seguinte. Circulei a pé pelas ruas empoeiradas e pacatas, entrei numa galeria de artes, num bar com portas do estilo faroeste e aborígenes assistindo TV, tomei duas Foster´s (cerveja de lá) e voltei pra “casa”. À noite, jantei carne de canguru num restaurante se não me engano à luz de velas. Se a carne estava boa? Uma delícia! Contei em detalhes aqui.

O Roteiro

Manhã do dia 20. Era bem cedinho, quase escuro, quando eu caminhava para um outro albergue de onde sairia o ônibus da excursão. Outros vários viajantes também estavam lá, assim como uma fila de ônibus. Distribuídos em grupos, lá fomos nós! Já na estrada, a paisagem plana e árida se repetia a cada quilômetro rodado. No caminho, vi canguru saltando longe, o posto de gasolina sem teto mais solitário da história e banheiros identificados com todo o jeito australiano de ser – eles têm um vocabulário próprio, clica só aqui pra ver!

Depois de uma primeira parada inusitada pra andar de camelo (quer saber como foi?), visitamos as Kata Tjuta (ou Olgas), um conjunto de 36 rochas enormes numa caminhada absurdamente quente de três horas. Placas alertando sobre o calor extremo e a necessidade de tomar água pra sobreviver estavam por todo o percurso. As famosas moscas do verão australiano zanzando pelo rosto também nos acompanharam durante toda a trilha. Bem feito pra quem como eu não quis aderir à moda deserto e usar chapéu com telinha. Recomendo à todo custo! Moscas à parte, tudo valia a pena no meio daquela grandiosidade!

Com o dia se aproximando do fim, chegamos a tempo de pegar o pôr do sol colorindo o Uluru (ou Ayers Rock), o principal símbolo do Outback e um dos ícones da Austrália. Lá estava ele, majestoso e único, fazendo valer o título de maior monólito do mundo e de uma das maravilhas naturais do planeta.

Outback

A primeira noite no deserto chegou e com ela nossa primeira madrugada dormindo em sacos de dormir debaixo das estrelas. Sabe-se lá que bichos passaram do nosso lado na escuridão…

Outback

Dia 2, 21 de dezembro. Pulamos cedo do acampamento rumo ao Uluru, desta vez pra explorá-lo de perto. Caminhamos os 9,4 quilômetros que circundam a base da grande rocha. A cada curva, uma surpresa: cavernas com desenhos aborígenes, incríveis oásis de água no meio da rocha e um silêncio nada perturbador.

Já à noite, no segundo acampamento, mais um encontro com o céu estrelado. Desta vez, armei minha cama em cima do trailer das bagagens pra ficar longe das formigas – elas gostam de me causar uma reaçãozinha alérgica nada básica. A noite longe de todo mundo foi ainda mais especial!

Terceiro e último dia. Mais caminhada pelas paisagens desérticas… O cenário foi o Kings Canyon, uma série de paredões laranjados e super altos de onde se tem uma vista incrível do Outback. Um horizonte pra nunca se esquecer!

Deixei o Outback cheia de alegria e ele nunca mais deixou meu coração. ♥

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9 comentários sobre “Como foi a minha experiência no Outback, o deserto da Austrália

  1. quem tirou suas fotos? sua camera tinha tripé ou vc pedia para alguém? te pergunto isso pq sempre viajo sozinha , e a parte das fotos é um terror, não sou adepta do pau de selfie…

    • Oi Marcella! As fotos minhas que estão neste post do Outback foram sim tiradas por outras pessoas, mas nem sempre saem boas (tive sorte desta vez!). Na maioria das vezes que viajo sozinha apelo para selfies mesmo pra garantir que saiam próximas do que eu quero. Uso bastante também o recurso do timer dos 10 segundos (seja na máquina fotográfica ou no celular) pra fazer fotos distantes. Espero ter ajudado… Um beijo!

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