A minha viagem de mochila

A minha viagem de mochila

4 de junho de 2013 Off Por Juliana Comparin

A minha viagem de mochila

Respira fuuundo que a história de hoje é das longas…

Era uma vez uma menina que foi junto com a mãe levar a avó na rodoviária. Ela viu dois jovens carregando mochilas enormes nas costas e, sem mesmo saber ao certo do que se tratava, falou: “mãe, é isso que eu quero ser quando crescer” kkk. E foi assim que a minha história com mochilão começou. E hoje eu resolvi contar pra vocês sobre a viagem de mochila que fiz entre 2008 e 2009 e que foi a grande incentivadora pra que eu criasse esse blog e descobrisse o meu rumo dentro da profissão de jornalista.

Como surgiu a ideia

Aos 15 anos de idade comecei a criar o desejo de conhecer a Austrália. Lia e relia muita coisa e me apaixonava cada vez mais pelo país. Devorava uma revista numa sentada. Era leitora assídua de um blog chamado “Operação Canguru – um maluco na Austrália”, que hoje acho que não existe mais. A minha vontade era passar uns dois anos bicho-grilando pelo país e depois voltar pro Brasil cheia de história pra contar (#vidaloka! kkk). Seria lindo se fosse fácil assim, mas com o tempo fui descobrindo que pra isso acontecer era preciso muito mais do que vontade.

A começar pela idade… A princípio eu queria fazer a viagem depois que me formasse no colégio. Quando essa hora chegou, eu com 17 anos não estava pronta pra encarar o mundão e meus pais menos ainda.

Outra questão era a forma de entrada no país… A Austrália controla muito o acesso e a permanência dos estrangeiros por lá. O visto de turista é bem enrolado de tirar e só permite a permanência por três meses. Pra ficar mais do que esse período é preciso estar matriculado em algum curso ou estar contratado por alguma empresa local. E eu não queria que nada nem ninguém me prendesse em uma só cidade. Queria ficar livre pra decidir como, quando e por onde turistar.

E, por fim, claro: grana! Precisava juntar dinheiro.

E então, enquanto o tempo foi passando, fui trabalhando, acostumando os meus pais com a ideia e amadurecendo o jeito de realizar esse sonho. Entrei para a faculdade de jornalismo e aí sim, com a cabeça mais no lugar e poupança sendo feita, planejei que faria a viagem para a Austrália sozinha e de mochila depois que terminasse os estudos.

Como me preparei

Comecei a juntar dinheiro desde o meu primeiro estágio aos 18 anos. O primeiro troco que guardei foi R$ 30, lembro até hoje! E lembro também que minha mãe me incentivava com a frase manjada e personalizada por ela que tanto me deu força “de grão em grão a galinha enche o papo e de moeda em moeda a Juliana vai pra Austrália”. Hehe. Fofa, né?!

Resolvi que entraria na Austrália com o visto de turista e depois, já lá dentro, tentaria outro jeito de estender a permanência (por mais que isso não viria a acontecer).

Continuei pesquisando sobre o país e sobre viajar sozinha e quando terminei a faculdade, com meus 22 recém feitos, sabia de cor e salteado tudo o que precisava. Estava segura, confiante e querendo muito colocar em prática tudo que aprendi em anos de planejamento.

No início de 2008, com passagem para Sydney já comprada para março, passaporte, vacinas e visto prontos, recebi um convite que iria incrementar ainda mais a minha viagem. Fui convidada por um amigo a aproveitar a saída do Brasil e trabalhar em um bar na Espanha durante a temporada de verão na Europa antes da chegada na Austrália. Adiei então em mais uns meses a ida para a Austrália, inclui a Europa no meu roteiro e parti em junho de 2008 para a viagem dos meus sonhos.

O roteiro

O planejamento inicial era ficar seis meses fora: 3 meses na Europa e 3 na Austrália. Saí do Brasil com as passagens intercontinentais compradas: América do Sul-Europa | Europa-Oceania | Oceania-Europa | Europa-América do Sul. Já tinha data de saída e chegada de cada lugar (mesmo que a última passagem – a de retorno para o Brasil – fosse depois adiada em mais dois meses). O grosso do roteiro era esse, agora o que eu faria com o recheio da viagem só seria programado no decorrer do mochilão.

Trabalhei então durante dois meses como bar-tender na ilha de Menorca, na Espanha. Foi uma experiência incrível! De lá, dei início à viagem pela Europa que duraria um mês. Comecei com uma semana de roteiro já planejada e o resto fui decidindo com o passar dos dias. Fiz então: Barcelona, Madrid e Toledo, na Espanha; na França, Paris; na Holanda, Amsterdã; na Alemanha, Berlim; e na Itália, Roma e Florença.

Já com três meses na estrada, peguei o esperado voo pra Austrália com direito a chororô a bordo kkk. Cumprindo as regras do visto de turista, fiquei dois meses em Sydney (a ideia era ficar uma semana! Pensa se não gostei de lá?!) e mais um mês viajando pela costa leste do país. Foi o auge do mochilão!

Prestes a encerrar a viagem, uma conversa por telefone com o meu pai me instigou a aproveitar que estava na Oceania e conhecer também a Nova Zelândia. Rolou uma mensagem de coragem “Você tá aí do lado e não vai saltar de bungy jump?” e um paitrocínio muito bem-vindo. E lá fui eu passar 18 dias na Nova Zelândia.

Enfim, a direção da viagem retomou o rumo para o Brasil. No caminho, parei ainda 20 dias em Cingapura e fiz um dia intenso de passeio em Londres enquanto esperava o voo da escala.

Blog ‘ju comparin – uma brazuca na estrada’

Criei um blog antes de viajar com a intenção de manter a minha família avisada sobre o curso da viagem e garantir o sono da minha mãe. Quase todos os dias à noite tinha um encontro marcado com o notebook que carreguei durante toda a viagem nas costas pra contar um pouquinho do meu dia e postar algumas fotos. A família ficou informada e o legal foi que outras pessoas que não me conheciam também começaram a seguir o blog e me mandavam mensagens de incentivo ao longo da viagem. Me sentia uma celebridade da net kkk! Quem quiser conhecer clica aqui.

Sonho realizado

Difícil resumir em um parágrafo tudo o que essa viagem significou, mas como eu escrevi no último post do blog do mochilão: “De tudo que vi e vivi ficam a vitória da realização de um sonho, lembranças de momentos mágicos e lugares surpreendentes, amizades curtas porém intensas e o sentimento único de gratidão pela oportunidade tida”.

E essa é a história do meu primeiro mochilão, people! O que eu mais quero com esse post é incentivar quem tiver um sonho, seja ele fazer uma viagem, casar ou comprar uma bicicleta, a encará-lo até o fim. A recompensa vai muito além do que a gente imagina.

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